NOSSA CONVENÇÃO.

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"E dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência." - Jeremias 3:15 (ACF).

COORDENADORIA

COORDENADORIA DO LESTE DE MINAS CIDADE DE CORONEL FABRICIANO MG e-mail do blog reverendorj@ig.com.br Entre em contato conosco. Através do nosso e-mail, você pode: - Enviar sua sugestão de matéria; - Divulgar o seu artigo; - Anunciar os eventos da sua igreja (caso seja da CNADF); - Solicitar parceria ou permissão para publicar nossos textos; - Enviar sua palavra de elogio ou de crítica. SOMOS PREGADORES DO EVANGELHO DE JESUS CRISTO...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

MONTANO E O MONTANISMO

Montano, profeta que se revelou inopinadamente na Frígia, por volta dos anos 155-160, afirmava ser porta-voz do Espírito Santo e que, em sua própria pessoa, se encarnara o Paráclito prometido em João 14,16; 16,7; fundador do montanismo.

As motivações de sua afirmação são desconhecidas, mas o que lhe aplainou a estrada foi o mal-estar difuso na cristandade de seu tempo, por se haver enfraquecido a expectativa dos últimos tempos e entorpecido o fervor espiritual, ou seja, a consciência de se terem tornado tíbios em relação à vida cristã dos primeiros tempos. Os numerosos escritos de Montano e das duas mais importantes profetisas Prisc(il)a e Maximila, se perderam; apenas restam poucos oráculos transmitidos diretamente. Aquilo que sabemos sobre Montano e sobre o movimento a que deu vida é de fonte indireta (sobretudo Eusébio, História Eclesiástica 5,14-19 e Epif., Haer. 48s, que se valem dos primeiros escritos antimontanistas). Montano é inseparável o movimento da "nova profecia" (à qual, em seguida, os adversários deram, com intenção depreciativa, o nome de "montanismo").

Caracteres e doutrina do montanismo. Os traços mais característicos são, antes de tudo, a glossolalia e uma linguagem espiritual tendente ao êxtase e ao entusiasmo. Tanto Montano quanto Priscila e Maximila (mas nenhum outro) pretendem ser a voz de Cristo e do Espírito Santo. Eles falam, por isto, com a autoridade deste Espírito e exigem fé incondicional e absoluta obediência às suas ordens. Negam toda autoridade eclesiástica. Conteúdo de sua profecia é o iminente fim do mundo, que Maximila prognostica para o tempo imediatamente posterior à sua morte. As guerras estouradas sob Marco Aurélio são interpretadas como sinais premonitórios. Como preparação para o fim são prescritos uma moral rigorosamente ascética, com a proibição do matrimônio (em seguida, apenas das segundas núpcias), jejuns severos, consistentes esmolas de toda espécie; encoraja-se o martírio, é probido subtrair-se às perseguições. Em referência a Apocalipse 21,1.10, a Nova Jerusalém, descida do céu, deverá localizar-se em Pepuza ou em Tymion (Frígia). Os crentes devem encontrar-se ali por ocasião da chegada do Senhor. Nenhuma posição herética, porém, é tomada no plano dogmático: permanecem no terreno da ortodoxia. Apenas mais tarde sustentou-se o contrário. Que os montanistas professassem também a ressurreição da carne é atestado explicitamente. O movimento é de restauração, até mesmo reacionário, não interessado em questões teológicas, e mesmo ingênuo. Alimenta-se com as antigas tradições proféticas e apocalípticas. A finalidade é reavivar e restaurar, com o recurso à autoridade do Paráclito, a antiga situação da igreja: eficácia do Espírito, falar em línguas, espera dos últimos tempos, ética rigorosa.

História do movimento. A doutrina do montanismo, dificilmente atacável do ponto de vista dogmático, criou dificuldades para a Igreja; não foi fácil a esta combatê-la eficazmente. Na Ásia Menor reuniram-se vários sínodos (provavelmente os primeiros da história da Igreja: Eusébio, HE 5,16,10; Anônimo) para porem um freio à expansão do movimento, perigosamente rápida e bem depressa também organizada. O ponto em que se centrava toda a questão era se se deveria considerar a "nova profecia" como uma real efusão do Espírito ou, então, como uma possessão demoníaca. Os meios tradicionais para desmascarar os falsos profetas (cf., por ex., as indicações da Didaquê) não eram suficientes ou não conseguiam golpear o movimento. Não bastava nem a exigência de um discurso mais claro nem a suposição de que os montanistas teriam sugestionado os bispos "consencientes", impelindo-os á adesão (Eusébio, HE 5,16,17). Nem mesmo com o apelo às Escrituras do Antigo e do Novo Testamento obtiveram-se resultados. De fato, Montano, com a pretensão de que nele falava o Paráclito, afirmava estar acima da própria autoridade das Sagradas Escrituras.

Todavia, o movimento foi excomungado pela igreja naqueles sínodos microasiáticos e, com isto, forçadamente reduzido às dimensões de uma seita. O que por fim o levou à ruína foi a pretensão que se arrogara a si mesmo, e que contrastava com a exigência da Igreja de manter a tradição (normas canônicas, profissões de fé, ofício). Apesar disto, a seita se expandiu ulteriormente até no Ocidente. Em Roma parece que por longo tempo se haja levado em consideração seu reconhecimento (por volta de 177-8), impedido depois por Práxeas (Tertuliano, Adv. Prax. 1). Na Gália conheciam-se, neste mesmo período, adeptos de Montano, e seu talento profético suscitava grande impressão. Os mártires de Lião escreveram, em favor dos montanistas (evidentemente contra a opinião de outros setores da comunidade), cartas à comunidade da Ásia e da Frígia e ao bispo de Roma Eleutério, a fim de que se empenhassem na reconciliação. Quando, com a morte de Maximila (179), o fim do mundo por ela profetizado para aquele momento não se verificou, o movimento não se desconcertou, mas a frenética expectativa do fim foi aos poucos minguando nos montanistas, sem no entando extinguir-se completamente (cf. a relação de Firmiliano, Cipr., Ep. 75,10).

Começou nova fase do movimento (a partir de 200 aprox.), caracterizada principalmente por uma acentuação do rigorismo moral. Com isto estava preparado o desenvolvimento, com o qual o montanismo se auto-supera gradualmente dentro da própria Igreja. O movimento fez a experiência de que o espírito profético não podia naquela circunstância ter êxito, coisa que, antes dele, a igreja primitiva já havia provado. O representante mais importante do montanismo da segunda geração foi Tertuliano que, em 207, passou para o montanismo, sobretudo pelo motivo de seu forte rigor ético. Os numerosos escritos ascéticos e dogmáticos do período posterior ilustram, portanto, a personalidade de Tertuliano montanista, mas do que dão um quadro do movimento. Contudo, também Tertuliano reconheceu expressamente a função histórico-salvífica que Montano se havia arrogado. Com ele, qual Paráclito, ter-se-ia aberto nova fase da revelação divina, além da neotestamentária.

A história posterior do movimento não registra mais, como é natural, momentos de particular destaque. Os montanistas são ainda mencionados pelos escritores eclesiásticos posteriores, comparecem nas listas dos hereges, e são mencionados regularmente nas leis estatais contra os hereges, até o séc. VI. Isto não depõe necessariamente a favor de uma sobrevivência de certo modo significativa do movimento. Apenas na Frígia, e sobretudo em Pepuza, parece que a igreja montanista tenha continuado a manter alguma vitalidade. Pepuza foi a sede do governo da seita, dotada de uma estrutura organizativa intercomunitária (Jerônimo, Ep, 41,3s). No séc. IV, Epifânio (Haer. 49,1,2-4) fala de alguns montanistas que, para receberem a aparição de Cristo, dormiam no templo.

("Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs", Ed. Vozes e Ed. Paulinas, 2002, pp. 959-960)
MONTANO E O MONTANISMO

Montano, profeta que se revelou inopinadamente na Frígia, por volta dos anos 155-160, afirmava ser porta-voz do Espírito Santo e que, em sua própria pessoa, se encarnara o Paráclito prometido em João 14,16; 16,7; fundador do montanismo.

As motivações de sua afirmação são desconhecidas, mas o que lhe aplainou a estrada foi o mal-estar difuso na cristandade de seu tempo, por se haver enfraquecido a expectativa dos últimos tempos e entorpecido o fervor espiritual, ou seja, a consciência de se terem tornado tíbios em relação à vida cristã dos primeiros tempos. Os numerosos escritos de Montano e das duas mais importantes profetisas Prisc(il)a e Maximila, se perderam; apenas restam poucos oráculos transmitidos diretamente. Aquilo que sabemos sobre Montano e sobre o movimento a que deu vida é de fonte indireta (sobretudo Eusébio, História Eclesiástica 5,14-19 e Epif., Haer. 48s, que se valem dos primeiros escritos antimontanistas). Montano é inseparável o movimento da "nova profecia" (à qual, em seguida, os adversários deram, com intenção depreciativa, o nome de "montanismo").

Caracteres e doutrina do montanismo. Os traços mais característicos são, antes de tudo, a glossolalia e uma linguagem espiritual tendente ao êxtase e ao entusiasmo. Tanto Montano quanto Priscila e Maximila (mas nenhum outro) pretendem ser a voz de Cristo e do Espírito Santo. Eles falam, por isto, com a autoridade deste Espírito e exigem fé incondicional e absoluta obediência às suas ordens. Negam toda autoridade eclesiástica. Conteúdo de sua profecia é o iminente fim do mundo, que Maximila prognostica para o tempo imediatamente posterior à sua morte. As guerras estouradas sob Marco Aurélio são interpretadas como sinais premonitórios. Como preparação para o fim são prescritos uma moral rigorosamente ascética, com a proibição do matrimônio (em seguida, apenas das segundas núpcias), jejuns severos, consistentes esmolas de toda espécie; encoraja-se o martírio, é probido subtrair-se às perseguições. Em referência a Apocalipse 21,1.10, a Nova Jerusalém, descida do céu, deverá localizar-se em Pepuza ou em Tymion (Frígia). Os crentes devem encontrar-se ali por ocasião da chegada do Senhor. Nenhuma posição herética, porém, é tomada no plano dogmático: permanecem no terreno da ortodoxia. Apenas mais tarde sustentou-se o contrário. Que os montanistas professassem também a ressurreição da carne é atestado explicitamente. O movimento é de restauração, até mesmo reacionário, não interessado em questões teológicas, e mesmo ingênuo. Alimenta-se com as antigas tradições proféticas e apocalípticas. A finalidade é reavivar e restaurar, com o recurso à autoridade do Paráclito, a antiga situação da igreja: eficácia do Espírito, falar em línguas, espera dos últimos tempos, ética rigorosa.

História do movimento. A doutrina do montanismo, dificilmente atacável do ponto de vista dogmático, criou dificuldades para a Igreja; não foi fácil a esta combatê-la eficazmente. Na Ásia Menor reuniram-se vários sínodos (provavelmente os primeiros da história da Igreja: Eusébio, HE 5,16,10; Anônimo) para porem um freio à expansão do movimento, perigosamente rápida e bem depressa também organizada. O ponto em que se centrava toda a questão era se se deveria considerar a "nova profecia" como uma real efusão do Espírito ou, então, como uma possessão demoníaca. Os meios tradicionais para desmascarar os falsos profetas (cf., por ex., as indicações da Didaquê) não eram suficientes ou não conseguiam golpear o movimento. Não bastava nem a exigência de um discurso mais claro nem a suposição de que os montanistas teriam sugestionado os bispos "consencientes", impelindo-os á adesão (Eusébio, HE 5,16,17). Nem mesmo com o apelo às Escrituras do Antigo e do Novo Testamento obtiveram-se resultados. De fato, Montano, com a pretensão de que nele falava o Paráclito, afirmava estar acima da própria autoridade das Sagradas Escrituras.

Todavia, o movimento foi excomungado pela igreja naqueles sínodos microasiáticos e, com isto, forçadamente reduzido às dimensões de uma seita. O que por fim o levou à ruína foi a pretensão que se arrogara a si mesmo, e que contrastava com a exigência da Igreja de manter a tradição (normas canônicas, profissões de fé, ofício). Apesar disto, a seita se expandiu ulteriormente até no Ocidente. Em Roma parece que por longo tempo se haja levado em consideração seu reconhecimento (por volta de 177-8), impedido depois por Práxeas (Tertuliano, Adv. Prax. 1). Na Gália conheciam-se, neste mesmo período, adeptos de Montano, e seu talento profético suscitava grande impressão. Os mártires de Lião escreveram, em favor dos montanistas (evidentemente contra a opinião de outros setores da comunidade), cartas à comunidade da Ásia e da Frígia e ao bispo de Roma Eleutério, a fim de que se empenhassem na reconciliação. Quando, com a morte de Maximila (179), o fim do mundo por ela profetizado para aquele momento não se verificou, o movimento não se desconcertou, mas a frenética expectativa do fim foi aos poucos minguando nos montanistas, sem no entando extinguir-se completamente (cf. a relação de Firmiliano, Cipr., Ep. 75,10).

Começou nova fase do movimento (a partir de 200 aprox.), caracterizada principalmente por uma acentuação do rigorismo moral. Com isto estava preparado o desenvolvimento, com o qual o montanismo se auto-supera gradualmente dentro da própria Igreja. O movimento fez a experiência de que o espírito profético não podia naquela circunstância ter êxito, coisa que, antes dele, a igreja primitiva já havia provado. O representante mais importante do montanismo da segunda geração foi Tertuliano que, em 207, passou para o montanismo, sobretudo pelo motivo de seu forte rigor ético. Os numerosos escritos ascéticos e dogmáticos do período posterior ilustram, portanto, a personalidade de Tertuliano montanista, mas do que dão um quadro do movimento. Contudo, também Tertuliano reconheceu expressamente a função histórico-salvífica que Montano se havia arrogado. Com ele, qual Paráclito, ter-se-ia aberto nova fase da revelação divina, além da neotestamentária.

A história posterior do movimento não registra mais, como é natural, momentos de particular destaque. Os montanistas são ainda mencionados pelos escritores eclesiásticos posteriores, comparecem nas listas dos hereges, e são mencionados regularmente nas leis estatais contra os hereges, até o séc. VI. Isto não depõe necessariamente a favor de uma sobrevivência de certo modo significativa do movimento. Apenas na Frígia, e sobretudo em Pepuza, parece que a igreja montanista tenha continuado a manter alguma vitalidade. Pepuza foi a sede do governo da seita, dotada de uma estrutura organizativa intercomunitária (Jerônimo, Ep, 41,3s). No séc. IV, Epifânio (Haer. 49,1,2-4) fala de alguns montanistas que, para receberem a aparição de Cristo, dormiam no templo.

("Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs", Ed. Vozes e Ed. Paulinas, 2002, pp. 959-960)

sábado, 7 de dezembro de 2013

Nelson Mandela (1918 – 2013) Um homem para “um tempo como este”

Nelson Mandela (1918 – 2013) Um homem para “um tempo como este”

mandela


A hora já visitava a noite no dia de ontem, mas não era demasiado tarde para que uma simples notícia corresse mundo: Nelson Mandela faleceu! Tendo alcançado a significativa idade de 95 anos, foi em sua própria casa que ele veio a falecer. A mídia redirecionou suas matérias e personalidades mundiais modificaram suas agendas para prestar homenagem a este que foi, certamente, um dos maiores líderes do nosso tempo. Nelson Mandela foi um homem para o seu tempo, serviu a sua geração com grandeza e semeou no mundo uma mensagem de paz. Nelson Mandela morreu e já temos saudade de líderes como ele.
A vida de Mandela foi um mistério. Um surpreendente mistério! Não é fácil imaginar alguém sair de tantos anos de cárcere ininterrupto, radical e cruel como ele fez: com uma mensagem que visava a construção de uma nação, promovia esforços conciliadores em meio a uma sociedade violentamente dividida e recebia as pessoas com um sorriso nos lábios. Foi assim que Nelson Mandela, com mais de 70 anos de idade, saiu da prisão no dia 11 de fevereiro de 1990, depois de 27 anos preso. Um mistério carregado de graça, eu diria. A graça de Deus que moldou o seu coração e lhe deu entendimento para o tempo que ele vivia e o que dele se esperava. Nelson Mandela foi um presente de Deus para a África do Sul e para todos nós que tivemos o privilégio de ser inspirados pela sua estatura humana e a sua grandeza política. Ele foi um estadista da paz!
Eu não tive o privilégio de encontrá-lo pessoalmente, mas tive a oportunidade de recepcionar e escutar a sua atual esposa, Grace Machel. Num dos eventos que a Visão Mundial realizou na África do Sul, nós a ouvimos falar sobre o desafio de cuidar das crianças, especialmente das crianças pobres, no continente africano. Ela era, afinal, uma respeitada e confiável embaixadora da causa infantil e nós a recebemos com reverência, sabendo que ela tinha autoridade no que dizia. Ela também, assim como o seu esposo, tinha uma causa e um testemunho de vida dignos de serem recebidos com gratidão. Nós não somos tão famosos como Nelson Mandela nem como Grace Machel, mas a graça de Deus também quer nos dar uma causa pela qual vale a pena viver e morrer. Uma causa que busca a reconciliação das pessoas, a construção de uma nação mais justa e um cuidado para com as nossas crianças no objetivo de que elas possam florescer como Deus quer, para mencionar só alguns dos desafios que estão diante de nós hoje.
Hoje Nelson Mandela já não está entre nós e isso nos deixa mais pobres. Mas podemos estar certos de que não amanhecemos sem a graça de Deus, que o inspirou ontem e quer nos inspirar hoje. A graça de Deus nos alcança nos momentos e lugares mais difíceis, como o próprio Mandela experimentou, e nos leva a deixar a nossa vida ser marcada pela busca do perdão e da reconciliação, da justiça e da verdade, do amor e da esperança. E disso nós, que nos dizemos cristãos, deveríamos entender um pouco.

Valdir Steuernagel, pelo Conselho Gestor da Aliança

sábado, 30 de novembro de 2013

Até que ponto uma religião pode interferir na vida de um adepto

Até que ponto uma religião pode interferir na vida de um adepto

Cena do filme To Verdener

por Johnny Bernardo


O paralelo entre o espiritual e o material (ou social) há séculos é interpretado de diversas maneiras. A grande dificuldade é em saber quais os limites entre a vida espiritual de um adepto, e sua realidade social. De forma geral, todas as religiões interferem de alguma forma no cotidiano de seus seguidores.

Questões associadas à vestimenta, à alimentação, ao entretenimento são discutíveis em grupos religiosos pertencentes, por exemplo, ao cristianismo e ao islamismo. Outras restrições, como a do acesso aos meios de comunicação (televisão, rádio, revistas) e a publicação de listas de “livros proibidos” aos membros ou cidadãos de um país confessional, também são interferências diretas na forma de vida dos indivíduos.

No Irã – e em outros países islâmicos confessionais, dirigidos com base na Sharia – a religião não é simplesmente um elemento social, parte de um contexto geral da sociedade, mas permeia todos os aspectos sociais dos iranianos, com restrições e punições igualmente severas. A execução de 16 rebeldes opositores, neste sábado (26), no Irã, e a postagem de vídeos por uma muçulmana dirigindo, na Arábia Saudita - é proibido às mulheres dirigirem -, são dois exemplos recentes. De forma semelhante, a religião também é usada em alguns países ocidentais como um mecanismo de controle, de influência política.

Mesmo com o avanço da democracia, da laicidade do Estado, a religião ainda é um elemento que exerce forte influência em governos, em discussões de abrangência universais. Há séculos o Catolicismo Romano se utiliza de mecanismos de submissão, seja quando das cruzadas, das inquisições, dos cerceamentos científicos, da indução ao belicismo e aos conflitos étnicos.


Aspectos constitucionais, das leis, em muitas ocasiões são desrespeitados por denominações religiosas, como os que praticam a poligamia nos EUA (ver Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias), ou que induzem seus membros a doarem mais do que o necessário para à manutenção de sua estrutura organizacional. Neste segundo aspecto, o neopentecostalismo brasileiro se destaca pelo o fato de que exerce forte domínio psicológico sobre seus adeptos.

O fanatismo religioso – particularmente no que se refere às igrejas pentecostais extremistas, a exemplo da Igreja Deus é Amor, Sinos de Belém Missão das Primícias e Congregação Cristã no Brasil, para citar algumas igrejas – se traduz pelo o que o membro pode ou não fazer ou ser. Por exemplo, a persistência da IPDA em proibir o acesso à televisão, à vestimenta já adotada por outras igrejas, à prática esportiva e ao entretenimento, interfere de forma radical na vida de seus membros.

Apesar das restrições impostas pela IPDA, a tendência é de que, futuramente – como em uma eventual ausência de seu líder máximo, David Miranda -, ocorram mudanças semelhantes as que vêm ocorrendo nas Assembleias de Deus – particularmente desde que a televisão e os usos e costumes foram liberados aos membros. A dificuldade de assimilação dos limites entre o espiritual e o social é um sério problema porque gera transtornos dificilmente irreparáveis na medida em que a capacidade crítica, de vivência social, de um fiel é seriamente prejudicada e limitada.


Há questões econômicas, de controle, por trás do fanatismo religioso que ultrapassa os limites pentecostais, cristãos, e que são perceptíveis na forma como organizações com forte atuação no Brasil (como as Testemunhas de Jeová) se articulam no cenário religioso. Nas TJ, a maneira quase militarizada como seus membros são organizados, e a influência exercida sobre as famílias (inclusive com proibições de contato com membros disciplinados – a preguiça também é tida como aspecto passível de disciplina) são retratados em filmes como To Verdener (Mundos Separados).

Produzido pelo dinamarquês Niels Arden Oplev, em 2008, To Verdener retrata a história de Sara (Rosalinde Mynster), uma jovem de 17 anos que foi criada com base nos ensinos das Testemunhas de Jeová, e que se vê em situação de conflito após iniciar um relacionamento com o ateu Teis (Johan Philip Asbaek). Disciplinada pelos anciões de sua congregação, Sara passa a ser rejeitada por sua própria família. O enredo, baseado em uma história verídica, é algo comum nas TJ.

Manipulação, restrições, cerceamentos, mortificações, são mecanismos de controle psicológico, característico de grupos destrutivos, e que visam explorar financeiramente adeptos. Novamente, todas as religiões possuem algum nível de influência no cotidiano de seus membros, mesmo que em alguns casos de forma não perceptível ou racional. Neopentecostais, pseudocristãos, são citados como exemplos, mas há inúmeros outros que se enquadram na proposta de análise da matéria.

Resumindo, o ponto principal a ser tomado como foco de análise é até que ponto uma religião pode interferir na vida de um adepto? Restrições como a de acesso a livros, a da ingestão de certos alimentos (como café e chá preto, no caso do Mormonismo), à participação em eventos festivos, recreativos ou de entretenimento (como no caso de algumas igrejas pentecostais, a exemplo da IPDA), de inserção em cursos universitários (como no caso das Testemunhas de Jeová), e aos direitos da mulher (como no caso do islamismo), são questões a serem investigadas mais de perto.





Johnny Bernardo é jornalista, pesquisador da 
religiosidade brasileira e colaborador do Genizah 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Angola é o primeiro país do mundo a banir o Islã Governo classifica quase 200 seitas religiosas como "ilegais"

Angola é o primeiro país do mundo a banir o Islã

Governo classifica quase 200 seitas religiosas como "ilegais"
por Jarbas Aragão

Angola é o primeiro país do mundo a banir o IslãAngola é o primeiro país do mundo a banir o Islã




Ao que se sabe, Angola é o primeiro país do mundo a proibir oficialmente a religião islâmica. Nos últimos meses, o governo angolano elaborou uma lista com cerca de 200 seitas religiosas consideradas ilegais e declarou-as proibidas de atuar no país. Embora a lista não tenha sido divulgada oficialmente, acredita-se que deverá incluir igrejas como a Universal e a Mundial, que já foram proibidas de atuar no país este ano.
Ao incluir o islamismo, os angolanos mostram que entendem os perigos do extremismo islâmico. Segundo a imprensa internacional, já foram destruídas várias mesquitas construídas no país de forma ilegal. Obviamente, isso gerou protestos da comunidade islâmica angolana, que seriam cerca de 90 mil pessoas, na sua grande maioria imigrantes vindos de países da África Ocidental.
Segundo o jornal marroquino La Nouvelle Tribune, a ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, afirmou: “O processo de legalização do Islã não foi aprovado pelo Ministério da Justiça e Direitos Humanos [de Angola], e portanto as mesquitas em todo o país serão fechadas e demolidas”.
O periódico angolano O País informa que cerca de 60 mesquitas já foram fechadas. Divulgou ainda que “os muçulmanos radicais não são bem-vindos no país e o governo angolano não está preparado para legalizar a presença de mesquitas em Angola”.
Por sua vez, a Comunidade Islâmica de Angola (COIA), liderada por David Alberto Já, os locais de culto foram fechados sem qualquer comunicação prévia aos imãs, líderes muçulmanos locais. David afirma que existem 57 mesquitas espalhadas por todo o país, que reúnem mais de 800 mil fiéis. Ele acredita que a sua religião é incompreendida por grupos que, segundo ele, não sabem que essa “é uma instituição de bem, de paz, irmandade, espiritualidade, boa convivência entre pessoas de diferentes estratos sociais”.
E acrescentou: “Nós estamos a exercer o nosso culto com base no que a lei diz, embora não sendo uma religião reconhecida pelo Estado angolano, à semelhança de tantas outras também estamos na mesma condição”.
Muitas igrejas evangélicas de Angola vinham fazendo alertas à população de Angola sobre o perigo do Islamismo. Antunes Huambo, líder da Coligação Cristã em Angola, grupo que reúne mais de 900 Igrejas, deu uma entrevista com grande repercussão em agosto. Ele afirmou que
o Islã está fazendo uma penetração silenciosa, mas “no fundo o seu objetivo é o de implantar a sua religião e abafar a nossa matriz cristã”.
Huambo chamou atenção para as práticas sociais que acompanham a religião islâmica, como a sharia e a jihad, além das menos faladas poligamia e a mutilação genital, que são “costumes e tradições avessas ao cristianismo… eles não têm o direito de nos impor as suas regras, porque somos um país soberano”. Com informações Israel Nation News, Ango Notícias e O País.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Nem a Igreja Católica escapou à espionagem dos EUA Documentos divulgados por Snowden denunciam ações da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos junto a papas



Nem a Igreja Católica escapou à espionagem dos EUA
Documentos divulgados por Snowden denunciam ações da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos junto a papas

Antonio Carlos Ribeiro


RIO DE JANEIRO - A publicação de cada nova denúncia em relação a países e personalidades espionados pela Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos é um novo golpe na estrutura de relações diplomáticas do país bélica e economicamente mais poderoso do planeta neste momento. O que o torna o mais empobrecido, diplomaticamente.
A fragilidade das relações diplomáticas surge mais uma vez nos embates que o pessoal da diplomacia sofre nos países cujos escândalos da demonstração excessiva de força foi denunciada por Brad Manning, no Wikileaks e, mais recentemente por Edward Snowden. Aqui surge a outra falência: a ameaça como meio eficiente de coibir os vazamentos.
A denúncia de espionagem do papa Francisco surge num contexto especialmente cruel para o governo de Barack Obama, e por razões distintas. A primeira situação é a denúncia feita em relação a empresas, cidadãos e à presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, que gerou o pedido de esclarecimentos. A resposta de que não responderia pela diplomacia incomodou. Depois veio outra pior: quer trabalhar junto com o Brasil nesta área.
Sem a resposta exigida, por escrito. Dilma cancelou a viagem em que seria recebida como chefe de Estado. Ela informou que levaria o caso à Assembleia da ONU e só aceitou um pedido do embaixador americano no Brasil: não divulgar que a decisão foi unilateral. Para tanto, ela consultou chefes de Estado da região, pela diplomacia, e mandou o Ministro da Defesa estabelecer o acordo para a defesa informática da região com Cristina Kirchner, presidente da Argentina.
Em Nova York, Kirchner hospedou-se no mesmo hotel de Rousseff e endossou as críticas a Obama, que ouviu tudo dos bastidores, antes de discursar. Depois veio a resistência de Putin à invasão à Síria e o não apoio do papa, que ainda orientou sua Igreja a proteger, cuidar e assegurar a vida de vítimas de guerra.

Na última semana foi a vez de Angela Merkel, chanceler da Alemanha, em discurso semelhante. A diferença apareceu no apoio latino-americano dedicado a Dilma, e o que foi negado pela Europa a Merkel, apesar de ofensas suaves de ministros alemães aos EUA.

No caso do papa Francisco, o desgaste pode ter sido maior, já que o catolicismo, além de incluir o fervor religioso, ultrapassa limites nacionais e regionais, prometendo uma inconformidade maior, já que os fiéis tendem a ver o sumo pontífice mais como pastor do que como chefe de Estado. Isso se agrava com o fato de jornalistas que cobrem o Vaticano desconfiarem que espiões dos EUA tivessem ouvido conversas confidencias antes da realização do conclave.
O fato é que documentos da Agência Nacional de Segurança dos EUA divulgados por Snowden mostram que a espionagem do Vaticano já havia começado entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013, quando Bento XVI ainda era o papa.
Os antecedentes dessa situação são ainda mais graves. O Wikileaks divulgou documentos de que o papa Francisco já sofria espionagem americana desde 2005, quando era o cardeal Bergoglio, de Buenos Aires, Argentina. Isso implica que a espionagem americana, recentemente revelada, mostra a paranoia do Pentágono, que além de controlar seu governo e expor ao ridículo o presidente Obama, começa a provocar conflitos nos países ocidentais, dos quais os EUA querem ser cabeça.
Essa situação tem obrigado os militares que dirigem esse programa a revelarem dados como as quatro categorias usadas: ‘direitos humanos’, ‘intenções de liderança’, ‘ameaças ao sistema financeiro’ e ‘objetivos de política externa’ como princípio básico do que coletar e analisar, explicou James Clapper, diretor de Inteligência Nacional, sem nenhum pudor dos malefícios que os EUA têm gerado na vida de pessoas ao redor do mundo.
Agora já se sabe que a NSA mantém um posto de escuta secreta na Embaixada dos EUA em Roma, através da qual monitora políticos italianos, e na Embaixada em Berlim, valendo-se da isenção política e da inviolabilidade diplomática para fazer o que quiser, sem se dispor ao crivo de julgamento de ninguém, amparado apenas no apoio das demais potências em nome do clima de terror, criado para fragilizar e controlar.
O paiol de insatisfações em relação à arrogância, prepotência e deseducação nunca estiveram em tão alto índice. A pergunta é se a crise europeia, baseada no autoritarismo de direita que reinvade o velho continente, será suficiente para se deixarem convencer pelo simulacro de nova reestruturação e redistribuição do poder, enquanto trabalhadores são pressionados e punidos, e líderes mundiais parecerem fantoches do poder esvaziado, do qual resta apenas a força militar, tornando os EUA apenas essa máscara.

FONTE : Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC) 

sábado, 23 de novembro de 2013

Mapa religioso brasileiro sofrerá grandes mudanças no futuro, vaticina cientista social

Mapa religioso brasileiro sofrerá grandes mudanças no futuro, vaticina cientista social



RJ - Três tendências: o protestantismo histórico será liberal, o pentecostalismo conservador e o catolicismo romano deverá se fortalecer nos próximos anos, mas com uma característica predominantemente ecumênica e com a retomada das Comunidades Eclesiais de Base.

A perspectiva é do cientista social e pesquisador Johnny Bernardo, do Núcleo Apologético de Pesquisa e Ensino Cristão e articulista dos jornais The Christian Post e Gnotícias. Em análise apresentada ao jornal carioca Nosso Tempo, Bernardo historiou o crescimento evangélico a partir dos anos 50 do século passado com o investimento em meios de comunicação de massa, cruzadas evangelísticas e a chegada do pentecostalismo de costumes liberais.

Ao comparar os primeiros anos da segunda metade do século XX, Bernardo detecta inúmeras diferenças na igreja evangélica, em relação a hoje, que passam pelo sistema litúrgico e de usos e costumes.

"Portanto, há de se desenvolver, nos próximos anos, uma significativa diferenciação entre protestantes históricos e pentecostais. A tendência é de que o protestantismo histórico se torne cada vez mais liberal, aberto a novas tendências e discussões da sociedade, diferente do pentecostalismo, que será caracterizado como um movimento conservador, tradicionalista, fundamentalista", avaliou.

Trata-se de uma inversão, uma vez que nos primeiros 25 anos do século XX o protestantismo histórico ficou conhecido como um movimento extremamente conservador e fundamentalista.

Para Bernardo, "a Igreja somente será relevante na medida em que aprender a dialogar com os vários segmentos da sociedade, compartilhar seus problemas e frustrações". Ele assinalou que nas últimas décadas a igreja evangélica brasileira tem se caracterizado pela retração, como uma denominação de templos, de liturgias, de reuniões infindáveis, ao invés de se fazer presente na sociedade.

Nos próximos anos, o mapa religioso brasileiro deverá sofrer mudanças profundas, não apenas por conta de uma possível retomada da hegemonia católica no país, mas também pelo crescimento de grupos religiosos de origem norte-americana e asiática.

"O Brasil, assim como os Estados Unidos, o Japão e a Rússia serão os futuros celeiros mundiais de religiões, ao mesmo tempo em que o radicalismo islâmico, o ateísmo, o homossexualismo e a anarquia encontrarão cada vez mais espaço", vaticinou.


Fonte: Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)